Vasos de Desonra

Westcott e Hort desmacarados pelos próprios filhos!

Original: Cap. XIV do livro "Final Authority" do Dr. William P. Grady, páginas 213-242, sob o titulo "Vessels of Dishonour".

Edição: JPMA


Vasos de Desonra

“Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra”. (2 Timóteo 2:20)

De um modo geral, como todas as traduções modernas estão sendo derivadas das teorias textuais de Brooke Foss Westcott e Fenton John Anthony Hort, seria conveniente que o povo examinasse completamente o caráter ministerial destes revisores, à luz da acusação bíblica sobre a impunidade. Até mesmo o Dr. Hort teria concorrido, ao comentar o desempenho de um clérigo que dizia:

Ele deve ter um desejo de promover simples e diretamente a glória de Deus, daquelas formas que a demonstrem mais claramente... Ele deve não somente agir, mas também dela falar, fazendo com que os homens a conheçam e conscientemente a promovam... Ele não é simplesmente um oficial ou servo de Deus ou trabalhador de Deus, mas Seu embaixador e arauto para falar aos homens sobre o próprio Deus.

É de alarmar que o crente comum que usa uma tradução inglesa que não seja a Versão Autorizada esteja completamente desinformado sobre os homens que iniciaram a mesma. Este é um item crucial, pois não pode endossar o movimento da Bíblia moderna sem preservar tacitamente uma sanção divina ao Comitê de Revisão original. Com o resgate climatérico das Sagradas Escrituras na estaca (conforme a teoria de Westcott e Hort), não seria razoável esperar que estes auto denominados salvadores pudessem ter exibido a mínima conformidade com relação aos versos que eles “camuflaram”?

“Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra” (2 Timóteo 2:20-21).

Tendo lido cuidadosamente, tanto o livro “A Vida e Cartas de Brooke Foss Westcott”, escrito por seu filho Arthur Westcott (1903) como “A Vida e Cartas de Fenton John Anthony Hort”, escrito por seu filho Arthur Fenton Hort (1896), este autor está firmemente convencido de que os célebres professores de Cambridge não eram coisa alguma do que professavam ser. A premissa central deste capítulo é que os Doutores Westcott e Hort eram dois liberais não salvos, cujas claras simpatias pelo Vaticano os transformaram em crias dos jesuítas!


                               
        Brooke Foss Westcott (1825-1903)                Fenton John Anthony Hort (1828-1892)    


Pela complexidade desta selecionada coleta da correspondência existente e dos dados biográficos, uma expressão mais importante é deixada sobre o exausto leitor. Apesar da injunção salmodial ao Salmo 107:2: “Digam-nos os remidos do Senhor...”,


é em vão que se procura, ao longo de quase 1.800 páginas de religiosa verbosidade, um simples testemunho de salvação pessoal destes dois homens.

O mesmo acontece com a narrativa de conversão de qualquer um dos dois, no que diz respeito a este assunto! Embora o primeiro endereço de Westcott em Cambridge fosse “Jesus Lane, 7”, e os pranteadores de Hort tivessem cantado “Jesus Vive”, durante o seu culto fúnebre, é bastante significativo que o nome pessoal do Salvador foi usado apenas nove vezes nos dois volumes! Uma inspeção incidental do “George Whitefield Journals” revelou que o nome de Jesus foi usado 36 vezes em 36 páginas (páginas 328 a 364). Tal contraste derramará nova luz sobre as palavras de Jesus em Mateus 12:34-b: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”, o qual, no dia do julgamento falará, conforme Mateus 7:23:

“E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”.


O apologista nicolaíta que confrontasse essa avaliação deveria ater-se ao testemunho dAquele que melhor conhecia os sujeitos. Enquanto Arthur Westcott diz que termos como “não agradável”, “irreal” e “místico” eram freqüentemente aplicados ao Senior Westcott, Arthur Hort trouxe a mais embaraçosa evidência de todas. Referindo-se à sua própria avó, Annie (Colletti) Hort, filha de um pregador de Sulffolk, ele escreveu:

Seus sentimentos religiosos eram profundos e fortes. As circunstâncias a haviam levado a tornar-se membro da igreja evangélica... o movimento de Oxford a encheu de horror e ansiedade quanto ao possível efeito sobre o seu filho. Ela era incapaz de penetrar em suas visões teológicas, as quais, para a sua escola e geração, pareciam uma deserção dos antigos caminhos. Desse modo, muito pateticamente veio a criar-se uma barreira entre mãe e filho. O íntimo intercurso sobre assuntos que tanto tocavam os corações de ambos foi interrompido, para a perda e tristeza de ambos... ela estudava e conhecia bem a sua Bíblia e sua própria vida religiosa era mais cuidadosamente regulada.


Enquanto Timóteo tinha com a sua mãe e avó um débito de gratidão pela paz escriturística recebida em seus joelhos, esta mais que patética alusão à errônea avaliação de valores de Hort pode ser percebida numa carta escrita à sua mãe, onde se lê:

Posso assegurar-lhe que não esqueço o quanto devo, tanto a senhora quanto à vovó, por terem me ensinado a amar as plantas e tudo o mais. Contudo, para uma evidência mais convincente de todas, por que não deixar que esses réprobos falem por si mesmos?

Escrevendo ao bispo Lightfood, Westcott declara:

Desisto de tornar-me um pesquisador de heresias. Vejo que “The Churchman“ (O Clérigo), louva o cânon como um artigo necessário à biblioteca de um clérigo. É estranho, mas todas as doutrinas questionáveis que já tenho mantido estão nele.

E como exemplo mais ilustrativo de auto incriminação considerem as palavras de Hort, conforme dirigidas a John Ellerton:

Possivelmente o Sr. não soube que me tornei capelão examinador do Herald Braune. Só o vi duas ou três vezes em minha vida, nunca na intimidade e fiquei encantado quando ele fez a proposta, nos termos mais cordiais. Escrevi-lhe para avisá-lo que eu não era seguro ou tradicional em minha teologia e que não podia desistir de minha associação com hereges ou semelhantes.

Com o capítulo XV cobrindo propriamente o Comitê de Revisão, a lembrança deste estudo vai tratar dos próprios revisores e seguirá uma tripla descrição:

I – Seu treinamento;

II – Sua teologia e

III – Seu comportamento tolo.


I – Seu treinamento

Salomão escreveu que: “A glória do jovem é a sua força” (Provérbios 20:29a). Apesar do resgate de Westcott como um garoto de muito boas referências, isoladas para os seus, e das ocasionais aventuras esportivas de Hort, a infância de ambos foi extremamente pacata, para dizer o mínimo. Enquanto as cartas do garoto Hort para o seu irmão mais novo, Arthur (escritas da Rugby Boarding School) eram quase fracos registros de sua mania por flores, Westcott era lembrado por seu cunhado, o reverendo T.M. Middlemore – Wettard, o qual relatou:

Naqueles velhos dias não posso lembrar-me de que ele tivesse qualquer colega de escola a quem se juntar nos brinquedos de menino. Ele usava o seu lazer para caçar e colecionar filicácias, borboletas e mariposas.


Se Westcott ainda fosse vivo, ele sem dúvida estaria tomando parte no lobby do “salvem as baleias”, conforme escreveu o seu filho:

Mais tarde, ele até desaprovava as pescarias do seu pai, porque suas simpatias eram completamente a favor dos peixes. Em certa ocasião, quando ainda era um garoto ele ficou encarregado da cesta de peixes e quando seu pai colocou lá dentro um peixe vivo, ainda se debatendo, muito mais tarde ele costumava declarar que ainda podia sentir os debates daquele peixe contra as suas costas.


O isolamento insalubre de Westcott conduziu-o a uma miríade de tralhas filosóficas, inclusive ao estudo dos escritos de Joseph Smith. Arthur Westcott confirma:

Ele adquiriu um interesse estranho... não muito depois daquele tempo, especialmente pelo Mormonismo... lembro-me de suas pesquisas e estudos do livro de Mórmon, lá pelo ano de 1840. Contudo, a influência mais insólita que eles mantiveram durante os anos de sua formação e adolescência foi uma introdução ao mundo da ciência. Escrevendo ao pai o jovem Westcott declarou que “o seu passatempo predileto era de ordem científica”. Em resumo, estes dois homens se sentiam atraídos pela vida. Em 1847, um Westcott de 22 anos reconhecia a sua incapacidade de crer nos milagres da Bíblia:


Jamais li uma narrativa de milagre, mas parece que, instintivamente, sinto a sua improbabilidade e descubro uma certa falta de evidência em suas narrativas.


Westcott pagou um alto preço por deixar que o seu intelecto prevalecesse. 19 de outubro de 1845:

Ninguém pode dizer quantas são as dificuldades que experimento. Pelo menos confio em que sou discipulável e desejo sinceramente encontrar a verdade, mas não concordo em que aquilo que espero seja verdade, sem que antes me convença.


31 de agosto de 1947:

Oh! A fraqueza de minha fé comparada com a dos outros! Tão rebelde, tão céptico eu sou. Não posso me submeter.


07 de novembro de 1847:

Ó, Marie, quando escrevi a última palavra, não pude deixar de indagar: o que sou? Posso afirmar que sou um crente?


11 de novembro de 1847:

Se não me atrevo a comunicar-lhe, às vezes, minhas próprias dúvidas rebeldes, é porque sinto que são o castigo de minha própria culpa e que não devo compartilhá-las com pessoa alguma.


08 de janeiro de 1848:

Parece que não tenho inclinação alguma para aprender. Devo descobrir tudo por mim mesmo e, então, fico satisfeito; porém essa fé simples e obediência de que muitos gozam, temo que jamais venham a me pertencer.

13 de maio de 1849:

Como uma selvagem crise de descrença parece ter se apossado de todo o meu ser, literalmente, hoje me sinto “sozinho no mundo”... não posso descrever o sentimento com o qual observo centenas – que parecem estar sempre alegres, sempre fiéis e crentes.


Westcott estava tão perplexo que colocou sua descrença em versos:

Qual a minha tarefa, ó Senhor? Pois ainda, embora o medo e a dúvida me oprimam o coração, negra dúvida e descrença, sinto que em tua obra tenho uma parte.


Embora o científico Westcott não pudesse rebaixar-se a ponto de aceitar os milagres da Bíblia, os poderes curativos da “Virgem Maria” eram outra coisa! Um desses episódios mais lúdicos da carreira desse professor aconteceu durante uma excursão de férias à França, cidade de La Salette, perto de Grenoble. Enquanto visitava a fonte sagrada de N.S. de La Salette, Westcott entrou em órbita, particularmente, diante da cura “milagrosa” de uma jovem católica. O espantado turista relatou:

Uma narrativa escrita não pode transportar noção alguma do efeito desse recital. A energia mais ansiosa de um pai, a modesta gratidão da filha, os rápidos olhares dos espectadores, de um para o outro, a calma satisfação do sacerdote, os comentários do veja e comprove, tudo se combinou para formar uma cena que dificilmente poderia se desenrolar no século XIX. Uma era de fé foi restaurada diante de nossa vista, à moda antiga.

Quando Westcott falou sobre a sua intenção de escrever a um jornal sobre o assunto, o prudente Dr. Lightfood dissuadiu o seu colega por essa admissão do milagre, tão potencialmente prejudicial. (Os eruditos evangélicos de hoje ainda continuam tentando esconder suas armadilhas). Contudo, a fonte curativa de “Nossa Senhora” constituiria apenas uma simples gota na jarra! Nossos estimados professores de Cambridge também eram conhecidos por lidar com o ocultismo. No ano de 1851 o Dr. Hort fundou uma sociedade para a investigação e classificação dos espíritos e fenômenos psíquicos em geral. O próprio filho de Westcott descreveu essas práticas como espiritualismo. Conhecido como Guia Espírita por sua membresia, os mais sensíveis cidadãos da sociedade inglesa sarcasticamente se referiam à mesma como o “Clube Bogie” ou “ o Clube do Galo e do Touro”, e sem levar em conta a clara denúncia de tal atividade Westcott escreveu em sua “circular espírita”:

O interesse e importância de uma séria e decidida pesquisa sobre a natureza dos fenômenos, os quais são vagamente chamados “sobrenaturais”, dificilmente poderiam ser questionados. Muitas pessoa acreditam que todas essas misteriosas ocorrências são devidas a causas puramente naturais ou à ilusão da mente e dos sentidos, ou ao engodo voluntário. Porém há muitas outras que acreditam ser possível que seres de um mundo invisível possam manifestar-se, eles mesmos, a nós, de modo extraordinário, e também são, de outro modo, incapazes de explicar muitos fatos, cuja evidência não pode ser negada. Ambas as partes têm obviamente um interesse comum em desejar que esses casos de suposta agência “sobrenatural” sejam inteiramente examinados. Se a crença dos últimos fosse por fim confirmada, os limites que o conhecimento humano com respeito ao mundo espiritual, tem alcançado poderia ser acertado com uma certa dose de exatidão. Mas em qualquer caso, mesmo que parecesse que obras mórbidas ou irregulares da mente ou sentidos concorreram satisfatoriamente para cada maravilha deste tipo, ainda algum progresso deverá ser feito para acertar as leis que regem o nosso ser, acrescentando, assim, ao nosso precário conhecimento, uma obscura, mas importante província da ciência.


Até aqui, temos de acertar que os homens que Deus levantou para restaurar a Sua Palavra eram “eruditos” demais para crer Nela, mas se maravilhariam diante da água sagrada de “Nossa Senhora”, ao mesmo tempo em que procuravam “seres do mundo invisível”, a ponto de melhorar o seu conhecimento das “leis que regulam o nosso ser”. Agora que essa é uma história absurda, se alguma vez tal história fosse contada. Nesse ponto, é relevante para o nosso estudo examinar os professores liberais que, cuidadosamente, regaram as sementes da descrença nos jovens Westcott e Hort. Embora alguns esposassem a filosofia e a poesia, e outros a teologia, a compacta ligação de todos eles era a firme determinação de romanizar a Igreja da Inglaterra. Como já foi mencionado antes, suas atividades se tornaram conhecidas como o Movimento de Oxford. Arthur Hort aponta o filósofo poeta Samuel Taylor Coleridge como uma das primeiras influências na vida do seu pai, declarando nesse particular “nos dias em que ainda não fora graduado, se não antes, que ele andava segundo os encantamentos de Coleridge”. Segundo o Dr. Gipp o próprio Coleridge, estava sob um ou dois “encantamentos”. Citando a New American Standard Encyclopedia, ele escreve:

A expulsão de Coleridge do colégio, por ser viciado em drogas, é um fato. “O vício do ópio, começou cedo para amortecer as dores do reumatismo e logo se tornou mais forte. Após uma inútil tentativa de se livrara do ópio em Malta e na Itália, Coleridge voltou à Inglaterra em 1806.

A enciclopédia supramencionada descreve a principal obra de Coleridge “Auxílios à Reflexão” com estas palavras:

Seu principal objetivo é harmonizar o Cristianismo formal com a variedade de filosofia transcendental de Coleridge. Ele também fez muito para apresentar Immanuel Kant e outros filósofos alemães, aos leitores ingleses.

Basicamente, Coleridge foi o golpe de morte modelar ou intelectual, com o Dicionário de Biografia Nacional declarando:

Coleridge tinha desejos doentios, era um sonhador de grandes esquemas jamais alcançados e desviados, a todo momento, por sua maravilhosa versatilidade em cada trilha por ele palmilhada.

Durante esse mesmo tempo, Westcott se tornara um ávido leitor de outro menestrel apóstata, John Kebler (1792-1866), professor de poesia na Universidade de Oxford. O Dicionário Conciso de Oxford da Igreja Cristã fala sobre Kebler:

Ele teve parte de liderança no Movimento de Oxford, contribuindo com vários dos “Folhetos para os Tempos”. Cooperou intimamente com E. B. Pusey em conservar o “Movimento da Alta Igreja” firmemente conectado com a Igreja da Inglaterra.

Newman escreveu em sua Apologia que Kebler foi o “legítimo e principal autor do Movimento de Oxford”. Westcott idolatrava Kebler e lia sua poesia, quase diariamente. Escrevendo à sua noiva, ele declarou:

Estou mais convencido do que nunca de que Kebler encontrou o mais verdadeiro e nobre objetivo da poesia – acalmar, dispor, sedar e treinar a mente pela simples lição da natureza. Que tal se ele tivesse encontrado “calma e disposição” nos Salmos?

Pelo tom de seus escritos, Westcott e Hort jamais demonstraram qualquer preferência pela leitura de cunho espiritual. Enquanto Scott, ao morrer, teve bastante juízo para pedir que lhe trouxessem “O Livro”, o último pedido do professor Hort, quando lhe restavam apenas quatro dias de vida foi pedir “Ivanhoe”. Continuando a seqüência da digressão filosófica de seu pai, o jovem Hort Júnior observou:

De Coleridge a Maurice a passagem foi natural. O ensino de Maurice foi o elemento mais poderoso em seu desenvolvimento religioso, satisfazendo em muito a necessidade que até ali o havia desgostado.

Vocês devem se lembrar do nosso capítulo anterior que diz que o Dr. Frederick Maurice foi o herege juramentado demitido do King´s College por, entre outras coisas, negar a eternidade do castigo futuro. O Dr. Hort confirma que foi Maurice quem nele instilou o amor pelos filósofos gregos homossexuais – Platão e Aristóteles:

Ele me apressou em dar a maior atenção a Platão e Aristóteles e fazer deles o ponto central de minha leitura, deixando os outros livros como subsidiários.


De conformidade, temos a doentia declaração do Dr. Hort para Westcott, de que:

Jamais posso olhar para trás, em minha vida em Cambridge, com suficiente gratidão. Acima de tudo, aquelas horas em que fiquei debruçado sobre Platão e Aristóteles operaram em mim, ore para que jamais desapareçam.

Seus hábitos principais de leitura jamais se tornaram muito melhores. Enquanto o contemporâneo de Westcott, o renomado Charles Haddon Spurgeon, testificava ter lido “O Peregrino”, mais de cem vezes, notamos que o clássico de Bunyan, não é muito, se é que o foi alguma vez, mencionado por Westcott ou Hort. Westcott declara que teve tempo de ler A Vida , do Dr. Thomas Arnold umas cem vezes. (O Dr. Arnold foi o Diretor de Hort na Rugby Boarding School). Em outra carta Westcott relata que leu “Guilherme Tell”, de Schiller, pela segunda vez, declarando, no parágrafo seguinte:

“Jamais li qualquer parte do livro de Foxe”.

Embora ele reconhecesse a fama do Livro dos Mártires de Foxe, dizendo:

“ele era acorrentado à Bíblia, nas mesas de leitura das igrejas”,

os súbitos efeitos da influência de Kebler já haviam levado Westcott a declarar:

A Poesia é, a meu ver, milhares de vezes mais verdadeira do que a História”.

Outro herege ecumênico que atraiu a atenção de Westcott foi Arthur Pernhyn Stanley, Deão da Abadia de Westminster (815-1881). Stanley havia feito um esforço sem sucesso para converter a Abadia num santuário nacional de todas as fés. Fora ele quem convidara o erudito unitariano, Dr. Vane Smith, para tomar parte num culto especial de comunhão para inaugurar os trabalhos do Comitê de Revisão da Bíblia King James. O início do diário de Westcott, em 2 de janeiro de 1848, diz:

“O sermão de Stanley, sobre S. João, o qual admiro extremamente, ... ainda é chamado de “heresia” em Oxford”.

A admiração de Westcott pelo antes mencionado Edward Pusey foi evidenciada numa carta descrevendo o seu primeiro encontro com o líder do “Movimento de Oxford”:

O Dr. June me apresentou o Dr. Pusey, um dos pouco homens que eu estava ansioso para conhecer... À tardinha, tivemos uma conversa mais séria e fiquei maravilhado com a acuidade e pronto vigor de um homem, que me disseram já ter quase 70 anos, o qual conhece Homero e Horácio melhor do que eu.

Poder-se-ia imaginar que destes muitos velados adversários, um caso isolado como aquele do desertor Newman teria sido além dos limites. Infelizmente, isso não acontecia. Cinco anos depois do ex-anglicano ter-se juntado à organização que tramava a liquidação total do protestantismo (1880), o Dr. Westcott saiu para ouvir o que ele tinha a dizer. Escrevendo à sua noiva, ele disse:

Ontem, como eu pretendia, fomos ao Corner Exchange para ouvir o Dr. Newman... Minha curiosidade era intensa, é claro, e a aparência do preletor serviu para aumentá-la. Ele parece mais jovem, mais intelectual, porém muito menos “piedoso” do que eu esperava.

Após declarar que não havia aceito as visões de Newman sobre a Tradição da Igreja, ele faz um comentário de que voltará a visitá-lo em apenas dois anos:

O seu simples poder de retórica é maior do que imaginava. Seu poder de argumentação é menor; sua capacidade de influenciar amplamente o povo inglês, eu acho, é absolutamente nula.

Fiquei admirado de como a “inabilidade” de Newman para influenciar o povo inglês estava começando pelo próprio Westcott, depois de apenas vinte e dois meses. Escrevendo à futura Sra. Westcott, ele confessou:


Hoje peguei “Folhetos para os Tempos” do Dr. Newman. Não me diga que ele vai me prejudicar. Pelo menos hoje ele me tem feito bem, e se você aqui estivesse, eu lhe teria pedido para ler as solenes palavras dele para mim.

Esse ar negligente de invencibilidade espiritual era uma característica desse professor-sabe-tudo. Comentando, em outra parte, a respeito do escritor Carlyle, ele afirmou:

O que você me diz de ter lido Carlyle? Você vai se desesperar? Não acho que eu seja do tipo que se entusiasma demais, embora haja muito nele que eu aprecie. Não é certo aprender até mesmo de um adversário, conforme diz o velho provérbio latino? E novamente, “mas desde os dias de Cambridge eu tenho lido os escritos de muitos que são chamados místicos, e com o maior proveito”.

Menos de cinco meses depois da segunda carta de Westcott a respeito de Newman, Hort também foi procurar o apóstata. Escrevendo a Westcott, em outubro de 1852, ele declarou:

“não posso deixar de condenar fortemente muitas de suas palavras e ações. Mas estas não são Newman; e tudo nele eu simplesmente adoro!

Esta ênfase continuou muito depois de Newman ter sido elevado a Cardeal, em 1879, Hort escrevendo à sua esposa em 1890:

“Meu único sentimento pessoal com respeito a Newman sempre tem recebido uma grande parcela de reverência”.

Com tantos simpatizantes do Vaticano afetando os professores de Cambridge, seria inevitável que os seus escritos começassem a exibir um tom de idêntica traição. O resultado da prosa pacifista de Kebler pode ser visto em uma resposta de Westcott a um sermão particular pregado contra o papado:

Quanto às reuniões do Sr. Oldham, acho que não são boas em sua tendência, e nada pode ser tão ruim como transformá-las em veículos de controvérsia. Que verso maravilhosamente belo é aquele de Kebler:

“E não perturba a parentela do seu coração”, etc. Parece que agora perdemos todo o senso de piedade, na amargura e sentimento doentio. A nossa arma contra Roma não deveria ser a oração em vez de discurso? Os esforços do mais íntimo do nosso coração, em vez de amostras de razão secular? (Nota da Tradutora: As cinzas de Lutero iriam remexer-se no túmulo, se tivessem escutado esse disparate!)

Em outra parte ele escreve:

Kebler tem publicado, ultimamente, alguns sermões, nos quais, bem como no prefácio sobre “A posição do Clérigo”, temo que ele venha ofender a muitos. De algum modo posso simpatizar com ele.

O dano infligido por Maurice, o qual por sua vez fora afetado por Newman, é compreensível, a partir do início do diário de Westcott, de 8 de maio de 1846:

Vejam as novas preleções de Maurice, com um prefácio sobre o Desenvolvimento escrito aparentemente com maravilhosa candura e clareza, livre de qualquer amargurada controvérsia. Ele faz uma observação, a qual eu tenho sempre escrito e dito, de que o perigo de nossa Igreja vem do ateísmo e não do Romanismo. Que quadro chocante é aquele por ele citado, de Newman, do presente aspecto da Igreja de Roma - como desprezada, rejeitada e perseguida pela opinião pública.

Como prova da verdade de que “você é o que lê”, a estima de Hort pela sua própria igreja foi diminuindo, à medida em que ele se embebia da autobiografia de Newman:

Newman certamente desperta muitos pensamentos. No momento, dificilmente cheguei além do sentimento de espanto por ter o privilégio dessa autobiografia... O Anglicanismo embora de modo algum, sem muita firmeza, parece uma coisa pobre e aleijada quando comparada à grandeza de Roma.

Quanto a quaisquer comentários com respeito aos pontífices contemporâneos, o Dr. Hort mencionou dois, Pio IX (1846-1878) e Leão XIII (1878-1903). Em defesa do primeiro, ele indagou:

Pode alguém odiar o pobre papa (que tentou ser um homem italiano) por amor a causa da qual Victor Emmanuel é o sinal visível?

No dia 8 de dezembro de 1854, este “bom italiano” fez a sua nova revelação da “Imaculada Conceição da Bendita Virgem Maria”. Isto significa que, apesar do próprio testemunho de Maria, contradizendo esta ridícula visão (Lucas 1:47), a mãe de Jesus seria, a partir dessa data, conhecida como tendo sido gerada sem o pecado original. Ele também era tão “piedoso” que em julho de 1870 se declarou infalível! Pio IX foi sucedido por Leão XIII, o qual mereceu duas observações do Dr. Hort. Numa carta enviada à sua filha mais velha, datada de apenas duas semanas, depois do culto de posse de Leão XIII, ele exclamou:

Mamãe recebeu outro dia uma carta longa e interessante de Sra. Luard, na qual ela me enviou uma foto do novo papa, a qual me deixou muito contente em possuir. Ela e a Sra. Luard tiveram a grande sorte de estar em Roma, nessas últimas semanas. Não poderiam ter estado ali em ocasião mais interessante.

Seis semanas após Hort ter pendurado na parede a foto pontifícia de “Sua Santidade”, este declarou guerra ao conceito de separação da igreja e estado, retoricamente pedindo, em sua primeira encíclica Incrustabili:


Quem negará o serviço da Igreja em trazer a verdade ao povo mergulhado na ignorância e na superstição? ...Quando comparamos as eras em que a Igreja era universalmente reverenciada como mãe com a era atual, não está fora de qualquer dúvida de que a nossa era caminha mais que depressa para o caminho largo da destruição?... Ele (o papado) é com toda a certeza a glória dos supremos pontífices, que se postaram, firmemente, como muros e bastiões, para salvar a sociedade humana de ir de volta à sua antiga superstição e ao seu barbarismo.

Escrevendo de Roma à sua filha mais nova, dez anos depois, um Hort extasiado descrevia a “grande excitação” que ele e a Sra. Hort haviam presenciado, quando o Vaticano anunciou que Leão oficiaria a Missa Especial e daria também audiências. (Que bom!) Lamentando que a notícia de audiência fosse tão curta para ser totalmente compreendida, Hort conseguiu duas entradas para gozar da Missa Pontifícia de gala. O homem que é creditado pela maioria dos cristãos nascidos de novo como tendo desempenhado um papel importante na restauração da Palavra de Deus, quase quebrou o pescoço, saindo uma hora e meia antes, para ir ver um companheiro ser tratado como um deus, relatando:

A procissão começou a aparecer, e logo apareceu o próprio papa, carregado bem alto numa liteira ou trono, com um enorme fabelo de cada lado. Ele vinha vagarosamente meneando a cabeça dos dois lados e baixando-a, enquanto dava bênçãos, com as mãos.

Quem poderia imaginar Lutero procurando conseguir entrada para um show desse tipo? Ele teria descrito Leão como um “monstro”, em vez de um fã, que havia pendurado a foto desse impostor num quadro. Para registro, o objetivo principal do herói de Hort era a supressão da liberdade religiosa na América, expandindo a política Standard do Vaticano de que “o Estado deve não apenas zelar pela religião, mas deve reconhecer a verdadeira religião”. Manhattan cita a encíclica de Leão “Catolicidade nos Estados Unidos”, e indaga alarmado:

O que, então, teria acontecido aos principais americanos de liberdade de consciência do indivíduo, de religião, de opinião e de todos os demais aspectos de liberdade, que agora fazem parte integral da vida americana? E de uma esfera particular da sociedade, os religiosos, o que aconteceria se o catolicismo assumisse o poder? Visto como todas as religiões, exceto o Catolicismo, são “falsas”, não seria permitido perverter os que estão no rebanho da Igreja Católica. Daí que todas as outras denominações religiosas nos Estados Unidos da América serão limitadas e mais tarde até proibida a liberdade religiosa, o que, automaticamente, levaria a Igreja a dominar todos os campos culturais, sociais e finalmente políticos. Isto baseado na doutrina católica de que “nenhum objetivo racional é promovido pela discriminação da falsa doutrina e não há direito algum para concordar com essa prática”. Por que? Simplesmente porque o papa e o líder dos católicos declaram que “o erro não tem o mesmo direito que a verdade tem”. (The Vatican Moscow Washington Alliance, ps.342-343) O estudante cristão comum da História da América não tem idéia de como o antecessor de Leão quase dissolveu a União, durante os anos da Guerra Civil. Para um rápido insight sobre como o Vaticano pode interferir nos governos estrangeiros, considerem o caos incitado por uma simples carta enviada por Pio IX a Jefferson Davis, em 1863:


Respondendo a uma correspondência de Davis, datada de 23/09/1863, a resposta do papa foi formalmente endereçada a “Jefferson Davis, Presidente dos Estados Confederados da América”. Esta sutil saudação deu à Confederação um voto de confiança horrivelmente necessitado da parte de “Sua Santidade”. O que aconteceu em seguida é por demais enervante. Enquanto as taxas de deserção, dos Exércitos Norte apresentavam 16% para os alemães, 0,5% para os americanos naturais, 0,7% para todos os demais, os irlandeses apareciam na altíssima contagem de 72%! Manhattan declara:

As cifras acima indicam que entre cada 10.000 irlandeses alistados – quase todos eles católicos – havia 33 vezes mais deserções do que entre todos os outros grupos colocados juntos. O ponto a ser alcançado aqui não é apenas o histórico – de que o Vaticano interveio nas agruras da Guerra Civil Americana, mas que num contexto diferente, e de uma maneira diferente, pode acontecer o mesmo nos conflitos de hoje, sejam militares ou políticos. E muito mais assim será no futuro.

II – Sua Teologia

Neste ponto, não seria surpresa mostrar que Westcott e Hort defendessem uma miríade de heresias católicas. Considerem a doutrina da Mariolatria. Aparentemente, Westcott já estava um tanto desequilibrado, antes do seu encontro com a “Nossa Senhora de Lourdes”. Dezoito anos antes, Westcott, acidentalmente, havia subido até outro santuário da “Virgem”, após ter excursionado até um Mosteiro Carmelita, em Gracie Dien. Westcott declarou:

Após deixar o Mosteiro, delineamos nosso curso em pequeno oratório (capela particular), que descobrimos, no cume de um monte vizinho, e após uma pequena escalada, lá chegamos. Felizmente, encontramos a porta aberta. Ele é muito pequeno, com um genuflexório, e no cenário de trás estava uma “Pietá” de tamanho natural, (isto é, a Virgem com o Cristo morto)... Se eu estivesse sozinho ali, poderia ter ficado ajoelhado durante horas.

Com a proclamação de Pio IX do dogma da “Imaculada Conceição de Maria”, aumentou a instabilidade emocional de Westcott. Enquanto viajava em Dresden, Alemanha, em 1856 (dois anos depois da “promoção” de Maria), Westcott visitou a Picture Galery e ficou extasiado com a Madona da Sistina:

Ela é menor do que eu esperava, e o colorido é menos rico, mas em expressão é perfeita. O rosto da Virgem é indescritivelmente belo. Parecia que os seus lábios tremiam com intensidade de sentimento.

Contudo para a narrativa mais doentia da dependência de Westcott à doutrina da Mariolatria, considerem a revelação de Arthur de que:

Minha mãe, cujo nome era Sarah Louise Whittard, era a mais velha das três irmãs. Mais tarde, no tempo de sua confirmação, a pedido de meu pai, ela adicionou ao seu nome o nome de Mary.

Não é de admirar que o Dr. Hort tenha também declarado:

Estou muito longe de pretender entender completamente a sempre crescente renovação da Mariolatria... Tenho sido persuadido, há muitos anos, de que a adoração a Maria e a adoração a Jesus têm muitíssimo em comum em suas causas e efeitos.

Embora os tradutores da Bíblia King James estivessem sujeitos a muitos dos abusos escritos do anglicanismo do século XIX, Westcott e Hort preferiram alinhar-se eles próprios com o elemento de adesão à romanização, ao agravar e expandir estas fraquezas. Por exemplo, a falácia central da Mariolatria é que ela assegura a Maria o papel não escriturístico de Mediadora entre Deus e os homens. Dentro do Catolicismo, a “Mãe Bendita” é apenas uma entre essas mediações. Em adição à opção de um católico de rezar aos santos falecidos, há sempre o beneficiário semanal de um sacerdócio oficiante. Westcott e Hort foram os mais destacados sustentáculos deste sistema teológico, dentro da Igreja da Inglaterra. Conhecida como a doutrina do sacerdotalismo, esta tradição depois elevaria a Igreja e os seus sacramentos acima dos ensinos das Sagradas Escrituras, em matéria de Autoridade Final. No modo de pensar do Dr. Westcott, (como também no caso de Leão XIII) conversão era sinônimo de manter-se membro da igreja verdadeira. Enquanto cortejava a wesleyana Miss Wittar, ele escreveu:

Tenho certeza (posso usar esta expressão?) de que você vai se juntar novamente àquela, que é o objeto de minha devoção.

Enquanto os times contemporâneos de pai-e-filho, como William e Bramwell Booth, labutavam incansavelmente para ganhar almas para Jesus Cristo, Arthur Westcott dizia sobre o seu pai:

Mais de uma vez, nas noites de verão, depois do culto da tarde na Catedral, ele seguia em seu triciclo, escoltado pelos filhos, em bicicletas, para visitar e inspecionar as igrejas da vizinhança.

Enquanto o companheiro inglês, C. Campbell Morgan estava trancando os seus livros durante sete anos, a fim de estudar exclusivamente a Bíblia, Westcott preferia ser edificado por tijolo e concreto. Com referência às antigas catedrais ele escreveu:

É pelos seus edifícios e pelas suas esculturas que os homens da Idade Média mantêm diálogo conosco, hoje. Eles escreveram em pergaminho, numa língua estrangeira, mas escreveram em pedra, em língua universal, do modo como os homens já não conseguem escrever agora... As grandes igrejas são os sermões da Idade Média e faremos bem se os estudarmos.

A devoção de Hort à Igreja institucional começou com a sua rendição às “Ordens Sacras”. Escrevendo aos pais para informá-los de sua decisão, ele simplesmente disse:

“Logo vocês perceberão que minha escolha é a Igreja”.

Ao mesmo tempo, Booth recebia ataques de ovos, excrementos e enxofre fervente, enquanto dirigia suas reuniões ao ar livre, em cabarés, estábulos, favelas, chiqueiro de porcos, palcos de teatro, lonas de circos, Arthur Hort dizia do seu pai:

Ele era enfaticamente um clérigo, ele amava grandemente os cultos da Igreja da Inglaterra e muito se preocupava por uma observância reverente de todos os assuntos e detalhes da adoração.

Durante os mesmos anos em que Charles H. Spurgeon atravessava a cidade, implorando aos homens e mulheres para confiarem no Salvador, Hort afirmava que:

A Igreja é o único centro de todas as nossas esperanças, a única através da qual devemos nos unir, logo nos submetendo à sua dócil e legal autoridade, delineando nossos caminhos, conforme suas indicações e, acima de tudo, venerando e exaltando, com gratidão e amor, levando outros a venerar, os Santos Sacramentos.

Em outra parte, Hort escreveu:

“Ainda não nos atrevemos a abandonar os Sacramentos para que Deus não nos abandone”.

Em outra parte ele ainda declarou:

”Sou um assumido sacerdotalista”.

O professor de Cambridge, obviamente, desprezava a teologia da Reforma de Lutero, do sacerdócio universal dos crentes. Hort escreveu:

“Mas este último erro dificilmente pode ser expelido, enquanto os protestantes desconheceram a horrorosa loucura da idéia do sacerdócio”.

Com a elevação do sacerdócio vem a inevitável doutrina romanista da regeneração batismal. A razão pela qual ninguém pode encontrar Westcott e Hort se referindo a uma simples narrativa de conversão é que eles não acreditavam nessa “tolice”. Escrevendo à esposa, Westcott declarou:

Acho que não temos o direito de reclamar contra a idéia do início de uma vida espiritual condicionada ao batismo, de modo algum, mais do que negar o início de uma vida moral a partir do nascimento.

Numa carta a John Ellerton, o Dr. Hort acrescentou:

Mantemos a “regeneração batismal” como a mais importante das doutrinas... quase todas as declarações anglicanas são uma mistura em várias proporções de verdade com a visão romanista; a visão pura do Romanismo, parece-me mais próxima e mais fácil de ser seguida do que a verdade dos evangélicos.

Ele escreveu a uma senhora convertida à Igreja da Inglaterra:

“O batismo nos garante que nos tornamos filhos de Deus”, membros de Cristo e do seu corpo, herdeiros do reino celestial”.

Escrevendo à filha mais velha, em sua confirmação, Hort declarou:

Nossa confirmação aponta de volta ao batismo, e... sem qualquer ato nosso, somos filhos do grande e gracioso Pai Celestial; membros, isto é, como se nos tornássemos partes e costelas de seu Filho bendito.

E finalmente, ao seu filho mais velho, em sua confirmação, ele escreveu:

Embora sendo uma criança, você foi o pronunciado por Deus, tornando-se, através do batismo, um membro inconsciente de Sua Igreja, a grande sociedade divina que tem vivido incessantemente, desde o tempo dos apóstolos até hoje. Você foi rodeado de influências cristãs; ensinado a levantar os olhos ao Pai celestial como seu próprio pai; a sentir-se na maravilhosa sensação de ser parte de Cristo, a Ele unido por estreitos laços invisíveis; para saber que você tem como direito de nascimento uma parte no reino do céu... É este o privilégio de um cristão, conhecer com certeza e clareza os fatos relacionados a todos os homens.

Até aqui deve ter ficado claro ao leitor que Westcott e Hort eram apenas dois apóstatas nicolaítas, que aprenderam a zelar pela herança de Deus, observando o papado. Em uma carta à sua esposa, Westcott observou:

“Que maravilhoso poder a organização da Igreja Romana dá aos seus líderes. Será isso errado?”

É claro que Westcott também estava inteirado do poder superior das escolas religiosas, quando escreveu a Hort, em 1867, o seguinte:

Mais e mais me convenço de que a obra da Igreja deve ser feita nas universidades – como Cambridge. Seria demais moldar os homens depois, mesmo que fossem alcançados.

Como a apostasia sempre começa nas salas de aula, um dos meios mais importantes que Westcott achava próprio era “moldar” o desenvolvimento teológico de seus estudantes, era minar-lhes a credibilidade de suas Bíblias. Na longa corrida, supunha-se que esta traição funcionava para vantagem dos sacerdotes, visto como um laicato privado de sua Escritura olharia naturalmente para o clero, como sua autoridade final. Escrevendo ao Dr. Hort, Westcott declara sua rejeição à infalibilidade:

Eu também “devo negar o estabelecimento da infalibilidade” diante de minhas convicções. Tudo que sustento é que, quanto mais aprendo, mais me convenço de que novas dúvidas provêm de minha própria ignorância e que, no presente, acho a presunção em favor da verdade absoluta – Rejeito a palavra infalibilidade – do domínio da Escritura Sagrada.

Hort escrevendo a Lightfood, na mesma semana, adverte:

Se você promove uma convicção decisiva da absoluta infalibilidade do Novo Testamento, praticamente um sine qua non de cooperação, temo não poder juntar-me a você, mesmo que você esteja desejoso de esquecer seus temores a respeito da origem dos Evangelhos.

Então vem a resposta de Hort numa carta a Westcott:

Seu recado veio exatamente na hora em que eu estava terminando uma longa carta para Lightfood... Não posso continuar, até o que me concerne, em afirmar a absoluta infalibilidade de um escrito canônico... quando sou ultimamente levado a admitir erros ocasionais, alimento muito...

Hort até mesmo prosseguiu num registro, como zombando dos não conformistas e dissidentes, pelo seu convincente exemplo de leitura bíblica:

Então a Bíblia ficou fechada por algum tempo, mas graças a Lutero, ela foi aberta, e que nenhum poder (exceto o fanatismo dos bibliólatras, entre os quais a leitura de tantos “capítulos” parece exatamente com a correspondente superstição de rezar tantas contas em um rosário), possa fechá-la novamente.

Tendo questionado, com sucesso, a credibilidade da própria Escritura, a erudição nicolaíta acrescentou o insulto à injúria, ao submeter o seu “texto falível” a uma interpretação alegórica. Quando um certo estudante escreveu a Hort, pedindo esclarecimento do Artigo IX dos Trinta e Nove Artigos da Igreja, recebeu a seguinte resposta espantosa:

Os autores do Artigo, sem dúvida, assumiram o caráter estritamente histórico da narrativa da queda em Gênesis. Esta suposição, agora, a meu ver, já não tem mais razão de ser.

A rejeição de Hort à interpretação de Gênesis foi reforçada com o seu estudo das obras de Darwin. Escrevendo a Westcott, em 1860, ele declarou:

Você leu Darwin? Como eu gostaria de poder falar com você sobre isto. Apesar das dificuldades, estou inclinado a pensar que isto é irretorquível. Em todo o caso é um que deve ser lido como um livro.

Em outra carta a Ellerton, ele escreveu:

Mas o livro em que mais me tenho engajado é Darwin. O que quer que dele se pense, é um livro que nos faz orgulhosos de ser seu contemporâneo. Devo me esforçar para examinar o argumento mais em detalhe, mas, no momento, o meu sentimento é forte de que essa teoria é irretorquível.

A convicção de Hort sobre a Evolução tornou-se tão pronunciada que ele recomendou Darwin ao seu filho e se tornou estudante de geologia e ávido colecionador de fósseis, até o final de sua vida. O “intelecto superior” de Westcott também prevaleceu sobre ele, no sentido de alegorizar um céu literal, a segunda vinda de Jesus Cristo e o Reinado Milenar. Os pontos de vista teológicos de Hort incluíam: negação da unidade da Trindade; duvidar da realidade dos anjos; crença num resgate pago a Satanás; questionamento da existência da alma separada de seu corpo; sugestão de vários graus de salvação; e a convicção de que o ministério terreno de Cristo não havia durado mais do que um ano. Das muitas doutrinas rejeitadas através de uma alegórica interpretação, estava a descrença de Hort num diabo literal, o que melhor explicava sua aproximação científica da crítica textual. Numa extensa carta ao Dr. Maurice, em 1849, ele declarou:

A discussão que logo precede estas quatro linhas conduz, naturalmente, a outro enigma mais intimamente conectado com o da penalidade eterna, isto é, da personalidade do diabo. Foi Caleridge quem, há uns três anos atrás, levantou as primeiras dúvidas sobre o assunto – dúvidas que até hoje jamais foram completamente resolvidas... Agora, se houver um diabo, ele simplesmente não pode ser uma imagem corrompida e borrada de Deus; ele deve ser completamente maligno, seu nome maligno, e malignos cada ato e energia dele. Não seria uma violação dos atributos divinos do verbo ser ativamente o sustentáculo de uma natureza tal como esta?

Com a sua eliminação de um diabo real, foi deixado aos revisores um texto que não amedronta. E esse texto não necessita de uma preservação sobrenatural. Vocês notarão que o Dr. Hort fez uma conexão entre a existência de um diabo natural e a “penalidade eterna”. Na mesma carta ao Dr. Maurice, Hort juntou-se ao seu mentor, rejeitando um inferno eterno, em favor da salvação universal, ganha através de um período de purificação no fogo do purgatório católico. Estranho demais é que Hort afirmava ter tido este insight, nos escritores do Novo Testamento:

As epístolas não são apenas quase isentas (até o ponto em que eu me lembro) de alusões a tormentos eternos, mas o tom completo delas é tal que a introdução de tal noção pareceria torná-las discordantes e sem harmonia. E como pouco aprecio me deter em textos isolados, não posso entender palavras como: ”Em Adão todos morreram, assim como em Cristo todos viverão” (ver na ACF). São Paulo não pode estar falando apenas de redenção universal, já que usa o tempo futuro, conforme todo o teor do capítulo, e está, além do mais, falando da ressurreição. E mais, a universalidade é entregue, tanto numa cláusula como na outra.

Notem como este auto proclamado perito do Novo Testamento era tão voluntariamente ignorante da gloriosa doutrina da imputação. Continuando em sua carta ao Dr. Maurice, ele diz:

Nem, até quando posso recordar, você em qualquer lugar já escreveu explicitamente sobre este ponto; até mesmo no assunto correspondente à justificação vicária só sei de duas páginas... e estas não conseguiram me deixar seguro de que a linguagem da imputação seja estritamente verdadeira, embora sancionada pelo exemplo de São Paulo. O fato é que, não vejo como a justiça de Deus possa ser satisfeita, sem cada homem sofrendo em sua própria pessoa, a penalidade total de seus pecados. Sei que pode, pois se não pudesse, no caso de pelo menos alguns, toda a Bíblia seria uma mentira; porém se no caso de alguns, por que não de todos?

Parece ser este o tipo de homem que Deus levantaria para restaurar a sua Palavra? Um teólogo que não consegue ver como a justiça de Deus poderia ser satisfeita à parte do pagamento do pecador do seu próprio débito? Deixemos que os advogados da New International Version escondam suas cabeças de vergonha por acusar o nosso Deus de tal tolice! Em outra carta a John Ellerton, Hort resumiu sua posição com o desenvolvimento de três pontos:

1) que a eternidade independe da duração 2) que o poder do arrependimento não se limita a esta vida 3) que não é revelado se todos se arrependerão no final. E contudo em outra parte ele conclui:

Mas a idéia de purgação, de purificação através do fogo, me parece inseparável do que a Bíblia ensina sobre os castigos divinos; e embora pouco seja dito diretamente com respeito ao estado futuro, parece-me inacreditável que os castigos divinos pudessem neste ponto mudar o seu caráter, quando findar esta vida visível.

Finalmente, o Dr. Westcott põe os seus dois centavos com um sutil endosso às orações particulares em favor dos mortos:

Concordamos, unanimemente, que estamos, como as coisas estão agora, proibidos de orar pelos mortos, fora de toda a igreja em nossos cultos públicos. Não se impõe restrição sobre devoções particulares.

Agora, como a descrença dos revisores num diabo real norteou a sua atitude com relação ao Texto Grego do Novo Testamento, então é que a rejeição de um inferno eterno afetou a sua opinião com respeito à condição do pecador perdido. Desse modo, começamos a terceira divisão do nosso estudo biográfico.

III – Seu comportamento tolo.

Depois de perseverar, através de 1800 páginas maçantes das biografias de Westcott e Hort, o leitor é deixado com uma forte dor de cabeça. Sua primeira impressão é a inacreditável falta de fibra espiritual em ambos os volumes. Isso é especialmente verdadeiro, quando se está familiarizado com a herança de reavivamentos da nação (Whitefield e Wesley), ou com os gigantes do evangelismo daqueles dias (Spurgeon, Booth e Muller). Como a teologia de um homem é que dita a sua moralidade, um par de declarações doutrinárias anula a “acusação infernal” garantida de que o abandono ministerial de Westcott e Hort fosse caracterizado como sujo, negligente e totalmente carente de urgência. Por exemplo enquanto o Salvador comandou os seus pregadores em Lucas 14:21: “...Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos”, o Dr. Westcott preferia gastar o seu tempo promovendo os direitos dos animais na Dick Bird Society. Embora Jesus tenha dito em Lucas 15:10: “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”, o esteticista mental, Dr. Westcott testificou:

“Escutar um violino é quase o maior prazer que conheço”.

Quando o jovem William Booth fixou os seus olhos sobre Londres, pela primeira vez, exclamou: “que cidade boa para ser salva!” , e então dedicou toda a sua vida a essa tarefa pesada. Em 1882, o inútil Dr. Westcott falava criticamente do General Booth, depois de uma discussão de duas horas com ele, relatando:

“Ele não tinha evidentemente pensado, mas tentei esclarecer-lhe que um exército não pode ser o objetivo final de um reino”.

O conselho não solicitado de Westcott foi estendido em 1882, no ano exato em que Booth enviou seus primeiros “soldados” para a Índia. (Um total de 34 países seriam depois “invadidos”). De fato, naquele tempo o Exército da Salvação possuía 81 emissoras, 127 evangelistas de tempo integral (100 dos quais vinham de pessoas convertidas por Booth) e 75.000 cultos por ano acontecendo. Nada mau para algum “cabeça de vento” que não havia calculado as coisas! Certa vez seu filho encontrou o velho general passeando no meio da noite. Quando ele indagou: “Em que o senhor está pensando?” O ancião suspirou:

“Ah Branwell, estou pensando sobre o pecado do povo. E como esse povo fará com os seus pecados?”

Em outra parte, ele se curvou gritando:

“Ó Deus, o que posso dizer? Almas! Almas! Almas! Meu coração tem fome de almas!”

Em compensação, a idéia de Westcott de uma dor de cabeça ministerial era bem outra. Escrevendo aso Arcebispo de Canterbury, em 1887, ele lamentava:

“Ouvi dizer, num capítulo sobre a segunda feira, que a rainha se propõe vir à Abadia disfarçada. Seria um desastre nacional.

Durante a visita ao Palácio de Buckingham, em junho de 1904 (três anos após a morte de Vitória), o Rei Eduardo pediu a Booth para comentar a respeito do seu passatempo favorito. Escrevendo no álbum real de autógrafos, Booth declarou:

Vossa Majestade, a ambição de alguns homens é a arte; a ambição de alguns homens é a fama; a ambição de alguns homens é o ouro; minha ambição é almas humanas.

Como se pode comparar este fardo com as prioridades da vida de Westcott e Hort, conforme refletidas em suas cartas existentes? Com a sua cidade marchando para o inferno, uma amostra de seus objetivos incluía: exposição de flores, observação de pássaros, apreciação de arte, arranjos de plantas, idas ao teatro, coleção de selos, leitura de novelas, escavação de fósseis, estudo de arquitetura, clubes de cantores, alpinismo, escultura, jardinagem, fotografia, patinação, poesia, concertos, marionetes e espiritismo! E os nicolaítas modernos ainda querem sugerir que o Rei Tiago tinha tendências homossexuais? Westcott e Hort nada sabiam de como ganhar almas, pregação de rua e reuniões de oração. Sem absolutamente menção alguma de tais portentos espirituais como David Brainard, George Whitefield, Jonathan Edwards, John Wesley, Charles Spurgeon, Gypsy South, William Carey, George Muller e centenas de outros, os professores de Cambridge preferiam escrever sobre o Rei Arthur, Guilherme Tell, Francisco de Assis, Confúcio, Sócrates, Homero, Shakespeare, Browning, Tennyson, Eurípedes, Mendelson, Byron, Sófocles, Wordsworth, Nilton, Pascal, Comte, Gladstone, Horácio, Disraeli, Madame Tussard e “Uncle Tom”. É interessante observar que Charles Spurgeon e Fenton Hort começaram seus pastorados rurais com uma diferença de apenas cinco anos. Após ter sido salvo, depois de apenas dois anos, o jovem Spurgeon, 17 anos, foi chamado a pastorear a Igreja de Waterbeach, Londres, em 1852. Usando a Bíblia King James, o pastor adolescente converteu quase toda a comunidade. Na reminiscência de sua autobiografia, o príncipe dos pregadores declara:

Entrou na vila, um rapaz que não possuía grande escolaridade, mas que estava ansioso para ganhar almas humanas. Começou a pregar ali e aprouve a Deus botar todo o lugar de cabeça para baixo. Dentro de pouco tempo, a pequena capela de palha estava apinhada, os maiores vagabundos da vila estavam derramando rios de lágrimas e os que haviam sido maldição naquela paróquia, tornaram-se bênção. Onde houvera latrocínio e vileza de toda espécie, ao redor de toda a vizinhança, já não havia nenhuma, porque os homens que costumavam praticar o mal estavam todos na casa de Deus, regozijando-se em ouvir falar de Jesus crucificado. Não estou contando uma história exagerada, nem algo que não conheço, pois era meu prazer trabalhar para o Senhor nessa vila. Era algo agradável passear naquele lugar onde quase não havia mais bebedeiras, onde os deboches que haviam sido tantos haviam cessado, onde homens e mulheres saiam para o trabalho de corações alegres, cantando louvores ao Deus eternamente vivo; e quando ao por do sol, o humilde camponês juntava os seus filhos, lia uma porção do Livro da Verdade e logo em seguida dobravam os joelhos em oração a Deus. Posso dizer, com alegria e felicidade que, quase de um extremo ao outro da vila, quando amanhecia, poderíamos ouvir vozes de canções vindas de quase cada cabana e ecoando de quase cada coração. Testifico, para o louvor da graça de Deus, que aprouve ao Senhor operar maravilhas em nosso meio. Ele mostrou o poder do nome de Jesus e me fez uma testemunha daquele evangelho que pode ganhar almas, amolecer corações rebeldes e moldar uma nova vida e conduta de homens e mulheres pecadores. (Autobiografia de Spurgeon, de Susana Spurgeon e Joseph Harald, Vol. 1 – The Early Years – ed. Revisada. Carlile, Própria, Banner E Truth Trust, 1962 – ps. 192-194).

Em 1854 Spurgeon foi convocado à Igreja de New Park Street, a qual estava funcionando com uma freqüência de apenas cem pessoas. Dentro de apenas três meses, o auditório de 1.200 lugares estava lotado e apertado e foram feitos planos para construir um maciço Tabernáculo Metropolitano. Em comparação, o Dr. Hort assumiu o seu primeiro “ministério paroquial” com a idade de 29 anos, em 1855, na vila campestre de Santo Hipólito. Enquanto Spurgeon laborava para “erradicar” os pecados nas vidas do seu povo, Arthur diz sobre o seu pai:

Ele aceitou o cargo com entusiasmo e jamais perdeu o interesse pelo mesmo. O próprio trabalho era aquele para o qual ele havia definitivamente se preparado durante anos; era aquele para o qual nos seus primeiros dias ele havia feito uma deliberada escolha. Seu passatempo era também exatamente o que ele havia escolhido; ele amava o campo e a vida simples, o jardim era o seu prazer constante; era silvestre e farto quando ele chegou e muitas tardes ele lhe deu cortando, podando e preparando os canteiros... Era o grande prazer de Hort colocar ordem nesse jardim preservando o que podia do plantio original.

Enquanto um homem colocava o jardim em ordem, o outro levava uma cidade á ordem. Para ser muito franco, a razão básica de Hort ter experimentado mais sucesso com as suas “podações” do que com as “pregações” é porque ele era um consumado improdutivo. Até mesmo o seu filho admitia isso:

O fato é que embora, ao correr dos anos, cresceu nele a convicção de que não era esta a sua verdadeira esfera. Sua extrema sensibilidade e timidez eram o real empecilho e ele tinha consciência disso... Ele se sentia incapaz, o tempo todo, de falar às pessoas, como gostaria de fazer. Ele era considerado por elas com reverente afeição, mas elas devem ter sentido, como aconteceu com ele, a barreira de sua reserva.

Durante o primeiro ano de Hort em Santo Hipólito, a Inglaterra sofreu uma série de desastres militares na Índia, desencadeados através de um motim particular. O governo separou uma quarta feira, 7 de outubro de 1857 para:

Um jejum solene, humilhação e oração diante do Todo Poderoso, a fim de obter o perdão dos pecados e para implorar sua bênção e assistência sobre os nossos exércitos para a restauração da tranqüilidade na Índia.

Spurgeon concordou que o culto central fosse oficiado no Palácio de Cristal. No dia determinado, 23.654 pessoas escutavam atentamente o jovem Spurgeon, de 23 anos de idade, pregar baseado sobre o texto de Miquéias 6:9b: “Ouvi a vara, e quem a ordenou”. Na primeira correspondência de Hort, após esse culto, importante carta datada de 17/11/1857, ao Reverendo Gerald Blant, ele não apenas deixou de mencionar a ocasião, mas em vez disso, discutiu a respeito de rosas, bogarís, framboesas e a morte de um gato doente. Enquanto Spurgeon costumava dizer que o seu problema não era escrever um sermão, mas escolher um, o jovem Hort escreveu sobre o seu pai:

Era na confecção dos sermões que ele mais sentia dificuldade de encontrar expressões para os seus pensamentos.

Hort ficava sempre intimidado, quando confrontado com um pregador de verdade. Já foram feitas referências, no capítulo 2, ao comparecimento de Hort a um culto de Moody, em 20/05/1875. O seu “vou ter o cuidado de lá não aparecer novamente” fala bem alto da convicção do Espírito Santo naquela reunião. O árido professor, escrevendo, admitia ficar um pouco desajeitado diante da multidão: “Muito do que é mais notável é a congregação ou talvez a audiência”. Este evangelista, descrito por Hort como “muito convencional e lugar comum” e o seu líder musical, Sankey, cuja música Hort criticou como sendo “inferior”, tinham acabado de chegar de uma excursão de dois anos nas Ilhas Britânicas, pregando para mais de 2,5 milhões de pessoas, em 285 reuniões! Que Hort ficou irritado com essas multidões pode ser visto na primeira linha de sua carta escrita ao Rei Charles Benson: “A nossa grande carência é de teólogos”. O Dr. Hort continuava sendo uma imensa contradição. Numa carta ao Reverendo Blant, ele define especificamente a obrigação de um ministro como:

“Falar de Deus aos homens e de Jesus Cristo a quem ele enviou, numa palavra, pregar o evangelho, isto é, anunciar as boas novas de Deus”.

Contudo não existe um exemplo sequer registrado sobre essa atividade em toda a biografia de Hort (o mesmo podendo ser dito de Westcott). O hipócrita não ganhador de almas preferia criticar os dissidentes, como os metodistas, por serem “piores do que o papado, porém mais insidiosos”. E bem mais interessante é que no ano exato em que Hort fez essa insana comparação (1846) o metodista Peter Carthright, de sessenta anos de idade, anotou em seu diário:

“Tive de atravessar muitas lagoas geladas... meu cavalo quase morreu e eu mesmo ficava congelado, faminto e muito fatigado”.

A pregação de Westcott não era muito melhor. O outro Arthur também teve de cobrir os sermõezinhos do pai falecido, escrevendo:

Pregar sempre foi um grande esforço físico para ele, até mesmo num edifício, comparativamente pequeno, como a Harold School Chapel, de modo que ele ficava cheio de ansiedade diante da perspectiva de pregar no púlpito de uma catedral.

O grande “Doutor da Crítica Textual” era um pato deslocado, para dizer o mínimo, conforme declara o seu filho:

Muitas vezes ouvi-o observar que não conseguia bancar o palhaço dentro do seu esquema do universo, e sempre tinha se indagado se ser o mais alegre dos homens, caso tivesse uma chance, tê-lo-ia levado a sorrir.

Numa nota mais triste, o Westcott mais jovem também observou:

Em uma de suas cartas meu pai disse que a natureza não o tinha dotado do dom das lágrimas; mas quando ele estava de pé no cais assistindo a partida do seu filho para o Canadá, as lágrimas brotaram sobre sua face. Foi esta a única ocasião em que o vi chorar.

A parte triste dessa história é que Westcott não estava chorando pelo filho, mas pelo cachorro do rapaz, Mep, junto com o qual ele havia crescido. Por contraste, o Whitefield de coração caloroso, dificilmente conseguia pregar um sermão sem lágrimas, conforme Pollock escreve:

“Vós me censurais por chorar”, ele disse, “mas como posso me conter, quando não chorais por vós mesmos, embora vossas almas imortais estejam à beira da destruição, e posso imaginar, que estais ouvindo o vosso último sermão e que talvez jamais tenhais outra oportunidade de receber o que Cristo vos oferece?”

Westcott adorava ouvir falar de missões, mas aí terminava o assunto. Tornou-se uma ácida censura contra ele que nos dois séculos mais produtivos em matéria de missionários, C.T. Studd e o Dr. W.T. Grenfell tivessem sido salvos e chamados para o campo, bem debaixo do seu nariz, em Cambridge – e nada menos do que pela instrumentalidade do D.L.Moody. Studd abdicou de uma herança para levar o evangelho até à China, Índia e África, enquanto Grenfell abandonou uma lucrativa prática da Medicina para se tornar missionário em Labrador. Em sua autobiografia, Grenfell disse que tinha sido convertido através do censo comum de Moody. Depois que um jovem ministro transformou a oração de abertura num “esforço oratório”, o jovem Grenfell ficou cansado e inquieto e resolvera escapulir. Moody localizou-o e interrompeu a oração com: “Vamos cantar um hino, enquanto nosso irmão conclui a sua oração!” Encantado com esta observação, o estudante de Cambridge voltou ao assunto e foi maravilhosamente convertido no final do sermão.

Westcott e Hort eram impostores adidos infernais projetando “uma forma de piedade” que jamais foi compatível com o evangelho, até mesmo sob as circunstâncias mais críticas. Dirigindo-se a um regimento de soldados, que estava a um passo da eternidade, o Dr. Westcott os deixou ainda mais cépticos, com o seguinte trecho de sua carta, a qual foi lida na parada:

Vocês procurarão antes a bênção de Deus e depois usarão o máximo da coragem que Ele lhes doou. Neste espírito vocês poderão enfrentar durezas, privações, perigos, sofrimentos e a sombra da morte, e sentir a presença de Deus com vocês em cada provação. Que Ele guarde e abençoe suas almas, pois, conforme foi dito por alguém da antigüidade: “a visão de Deus é a vida de um homem”.

Onde se poderia conseguir algo mais frio e inútil? Considerem o apelo do seu companheiro inglês Gipsy Smith, na mesma situação, uma geração após:

Eu estava falando atrás da linha para alguns rapazes. Cada jovem à minha frente iria subir para a trincheira, naquela noite. Eram 500 ou 600 deles. Não era fácil falar. Tudo que eu disse vinha acompanhado do rugir dos canhões, do barulho dos rifles e da saída de tanques e a cada instante nossos rostos eram iluminados pelos flashes. Olhei para aqueles rapazes. Não podia pregar para eles de maneira comum. Eu sabia e eles também sabiam que para muitos deles, seria aquele o último culto aqui na terra. Eu disse: “rapazes, vocês estão indo para as trincheiras. Tudo pode acontecer ali. Gostaria de ir com vocês. Deus sabe disso. Eu iria, caso me permitissem, e se algum de vocês caísse, eu gostaria de segurar-lhe a mão e dizer-lhe alguma coisa em lugar de sua mãe, de sua esposa, de sua namorada e de seu filhinho. Eu gostaria de ser o elo entre vocês e o lar, mesmo que fosse por um momento – o mensageiro de Deus para vocês. Eles não me deixarão ir, porém existe Alguém que irá com vocês. Vocês sabem quem é”. Vocês teriam ouvido os rapazes sussurrar: “sim, o Senhor Jesus! “Bem, eu disse, quero que cada um que esteja ansioso leve consigo Jesus, até à trincheira, para lutar”. Depressa e calmamente cada um deles se colocou em posição de sentido.

O restante dos ministérios de Westcott e Hort seguiu a linha típica do partido liberal. Há inúmeras referências em seus escritos sobre os méritos do desarmamento e súplicas pela paz mundial. “Acho que por natureza sou um comunista”. Ele afirmava detestar todo o luxo e era tão estranho, a ponto de ter promovido o conceito de vida comunitária durante anos. Chamava esta fantasia de Coenobium. O projeto inútil jamais foi realizado.

Agora, como essas heresias continuaram a emergir, muito do apoio a Westcott e Hort tem desmoronado. Robert L. Sumner fez a mesma declaração de que “Westcott e Hort... eram liberais na teologia, porém honestos quando procuraram restaurar o texto original”.
Stewart Custer, da Universidade Bob Jones, continua sendo um dos seus mais decididos defensores. O Dr. Custer é o presidente de uma divisão bíblica e professor de estudos graduados. Em 1981, ele publicou um panfleto de trinta e oito páginas intitulado “A verdade Sobre a Controvérsia da Versão King James”. Na página 26 ele declara:

A maior parte das coisas citadas contra Westcott e Hort provém da correspondência particular. Uma das coisas mais danosas citadas contra Hort foi escrita quando ele tinha 23 anos (1851). Citar a correspondência e as declarações particulares de um homem, de anos passados, quando sua posição teológica estava ainda em formação, é, no mínimo, indelicadeza. Especialmente quando esse homem tem escrito em seus anos de maturidade, livro após livro, defendendo a interpretação conservadora da Escritura, é injusto, no sentido de caracterizar todo o seu ministério por algumas interpretações erradas das quais podem ter sido culpados .

O leitor poderá observar pelo menos sete erros nas observações do Dr. Custer:

1. Insinuar uma falta de ética por se expor a correspondência particular é ridículo, quando se está lidando com um “lobo vestido de pele de cordeiro”. A única maneira de agarrar um mentiroso é através de sua correspondência particular.

2. O Dr. Custer espera que desculpemos as antigas heresias de Westcott e Hort porque, supostamente, esses professores entraram na linha, em seus anos de velhice. Será que o presidente do Departamento de Bíblia esqueceu que foi nesses anos antigos (1853-1871) que os revisores hereges estavam construindo o projeto do Novo Testamento Grego? O mais tardar, em 1860, com sete anos de projeto do Novo Testamento Grego, um rapaz de vinte anos de idade, Hort, queixava-se ao Dr. Lightfood:

“Em nossa breve correspondência sobre o Novo Testamento tenho estado a esquecer Platão”.


E na primeira linha de sua próxima carta, (ao Sr. A McMillan) ele declara:

“Sobre Darwin tenho estado a ler e a pensar um bocado, e pretendo ver o meu modo de comparação, claramente”.

Será que um erudito conservador colocaria Cristo como recheio de um sanduíche entre Platão e Darwin?

3. Vocês notarão cuidadosamente que o Dr. Custer não nos dá informação alguma de quando Westcott e Hort nasceram de novo. Ninguém pode amadurecer, se ainda não começou a viver!

4. O Dr. Custer parece deixar implícito que alguém pode caminhar gradualmente de herege para conservador. Charles Wesley não o aprovaria: “Meus olhos saltaram com raio instantâneo, despertei e o calabouço estava cheio de luz”.

5. Supomos ter a segurança porque uma porção de posições ortodoxas “... podem ser encontradas” nas últimas obras de Westcott e Hort. Os liberais sempre falam pelos dois cantos da boca (linguagem dobre). Esta é a exata justificação a ser dada para as traduções inglesas modernas, apesar de suas inúmeras leituras heréticas, isto é, “cada doutrina principal pode aí ser encontrada”.

6. Quanto à significativa lista do Dr. Custer com referências ortodoxas dos últimos anos, o Dr. Donald Waite na “Bible for Today”, já publicou uma refutação de 182 Páginas da obra de Custer, intitulada: “Resposta ao Dr. Stewart Custer Sobre o Textus Receptus da Versão King James”. Das páginas 43 até 146, o Dr. Waite derruba os assim chamados “escritos da maturidade” de Westcott e Hort, conforme retirados dos comentários de João, Hebreus e 1 Pedro.

7. O Dr. Custer disse que Westcott e Hort descartaram suas poucas “interpretações errôneas” (o que quer que isto signifique), quando atingiram a maturidade. Quando acha o Dr. Custer que esses anos de ouro começaram?

“Ninguém agora, suponho, pode sustentar, por exemplo, que os três primeiros capítulos de Gênesis apresentam uma história literal. Eu jamais poderia entender como uma pessoa, lendo-os, de olhos abertos, poderia acreditar que assim aconteceu”. Dr. B. F. Westcot 04/03/1890 65 anos de idade.

Em seu “Elogio”, onze anos mais tarde, pode-se ler em parte:

“Seu mais ardente desejo e esforço era promover o mais alto bem estar da família humana, ao proclamar a paternidade de Deus e fraternidade dos homens” .


Será que um sujeito precisa de mais maturidade?

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Depois de todos esses fatos, fica clara a incompetência espiritual desses dois lobos vestidos de ovelhas, homens perdidos e falsos mestres conhecidos por Westcott e Hort. Todos os "eruditos modernos" que insistem em produzir, promover e empurrar as versões modernas da Bíblia (NVI, BLH, NTLH, ARA, VIVA, ECA, JERUSALÉM...) estão servindo ao mesmo espírito das trevas que se apossaram dessas duas pobres almas que estão queimando nas chamas do inferno!



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