O boicote da madame


(qualquer semelhança com fatos, locais, jornais, TVs, partidos, instituições ou pessoas reais é mera coincidência)

Ela é distinta e educada. Mora numa mansão no Lago Sul, em Brasília, é doutora em Psicologia e ensina na UNB, a alma mater preferida de 9 entre 10 esquerdistas. Seus autores preferidos são: Marx, Engels e Freud.

Ela estava lá na "posse", agitando sua bandeirinha vermelha, assistindo o show deprimente dos banhistas, homens e mulheres semi-despidos, todos molhados pelo espelho d'água do Congresso, transformado em piscina pública. Estavam todos exuberantes e extasiados gritando "hei, hei, hei, ele é o nosso rei...". Tudo isso sob os aplausos do ditador mais truculento e antigo das Américas, ídolo dos novos líderes.

Ela sabe que a cor vermelha não faz parte do lindo pendão, mas não faz mal, afinal, o "inconsciente coletivo" assim o exige.

Meses depois, lá está ela, passeando com a família no Conjunto Nacional e vem a repórter do jornal "Devaneio Braziliense" perguntar sobre o que ela acha da guerra.

Horrorizada com a situação mundial, mas nem um pingo preocupada com a maior ilha-presídio do mundo no Caribe, sua sensível mente de psicóloga começa a trabalhar. Numa fração de segundo, sua memória a lembra acerca dos repórteres da Globo esbravejando seu veneno anti-americano, e as manchetes dos jornais mostrando como os Estados Unidos são maus, agredindo o pobre governo de Saddam, o incompreendido. Ela se lembra também que o Embaixador de Saddam no Brasil, foi aplaudido dentro do Congresso Nacional, tudo armado pelo PT. Ela se lembra que, até mesmo o líder máximo do país, já se pronunciou contra a guerra, se alinhando com a França, os abutres do mundo.

Ela dispara: "Eu sou da paz... Estou inclusive boicotando o sanduiche deles..."

Um esclarecido brasileiro, não aguenta aquele circo e se intrometendo na conversa, interrompe: "Hei, vocês duas! Vocês fazem idéia do que estão dizendo? Já pararam para pensar na bobagem que estão alimentando?"

Um tumulto começa. A psicóloga se inflama. Ela diz: "Acho mesmo é que devemos boicotar tudo dos americanos! Vamos dar uma lição neles!"

"Minha senhora..." replica o homem, "...qual o automóvel que a senhora estacionou na garagem do shopping?"

"Uma Blazer Executive!" Responde a psicóloga! O homem, então, retoma sua lúcida argumentação:

"Ah! Que bom saber! Vamos boicotar os americanos? A senhora, que mora no Lago Sul, por exemplo, vai ter que ir a pé para casa. Sim, porque a Americana General Motors é que fabrica seu lindo carrinho. Os pneus, por exemplo, são Goodyear. As autopeças, fabricadas nos Estados Unidos. E que tal o seu lindo computador, cujo processador é da Intel, e que tal os seus softwares? Simule o caos do mundo moderno sem cumputadores americanos. Por falar em transportes, esqueça viajar de avião. Quer sejam "Boeing", "Airbus", "McDonald Douglas", qualquer um deles tem peças da coalizão! Os computadores e radares do controle de tráfego também, ou são americanos, ou têm seus componentes. Sabe qual é a maior empresa de exportação Brasileira, senhora? Ela é a EMBRAER. Está orgulhosa não é? Que bom! Saiba que os motores General Electric e Rolls-Royce dos nossos aviões brasileiros são fabricados nos Estados Unidos e Inglaterra, a dobradinha da coalizão! Na aerodinâmica, senhora, ainda há uma lei que diz que sem motor, nenhum avião comercial decola. Talvez sejamos tão espertos que inventaremos um avião sem motor no futuro! Que ótimo! Esse futuro ao que parece, entretanto, ainda está um pouco distante! Saiba que o cérebro eletrônico desse avião também é da americana Honeywell. Já ouviu falar dos fornecedores C&D Aerospace, Hamilton Sundstrand, e Parker, todas dos Estados Unidos? Advinha quem é o maior cliente desses aviõezinhos Brasileiros de 18 milhões de dólares cada um, senhora? Os Estados Unidos! Vamos boicotar numa só tacada, o nosso próprio fornecedor e o nosso próprio cliente! Jogada de gênio! Ideologia do PT. Que maravilha! Fique sabendo que o nosso avião presidencial é um "Boeing", que se der uma pane, ele vai de jatinho "Learjet"...

A senhora, bem como o presidente solidário ao boicote, vão ter que viajar somente de ônibus interestaduais...

Mas espere um pouco! Esse ônibus não pode usar motores-diesel americanos! Nem pneus Firestone ou Goodyear ou auto peças americanas. A senhora está fadada a andar de acordo com os burros e carroças totalmente nacionais, da era do PT.

Que tal turbinas hidroelétricas ou componentes de alta tecnologia de geração de energia? Que tal a tecnologia das telecomunicações, de televisão, rádio, satélite, medicina, remédios, produtos químicos...?

E que tal falar sobre a balança comercial brasileira? Vamos boicotar os americanos? Que bom! A senhora parou para pensar... e se eles nos boicotarem? Que idéia inconcebível não é? Ah! Isso não nos passou pela cabeça? Nós quebraríamos mais rapidamente do que muita gente desmiolada leva para pronunciar o nome do sanduiche que vai boicotar. Por falar em boicote, sabia que até mesmo essa palavra vem do inglês "boycott"? Sanduiche também vem do inglês! É "sandwich"! Vamos boicotar o boicote! Ufa, que confusão!

Nós teríamos que arranjar outros compradores para os milhares de produtos brasileiros no valor de 14 bilhões de dólares por ano! Do aço à laranja, do sapato a aviões... Já lhe ocorreu isso, madame?

Brigar com o nosso maior parceiro comercial é a maior estupidez que um governo pode prestar ao país! É um suicídio estúpido elevado ao infinito! Que digam os exportadores brasileiros apavorados com essa paranoia desatinada.

Se opor a uma guerra legítima, moral e justa é tomar partido com os ditadores truculentos como Pinel Fiasco, o dinossauro carniceiro e débil mental de Tuba!

E tem mais minha senhora: Eu adoro Coca-Cola!"

A madame e a jornalista, mudas e totalmente desarmadas de suas argumentações desmioladas, saem juntas e de fininho. A psicóloga, teimosamente, vira-se e diz:

"Ah! você é muito radical..." A repórter, retomando o fôlego, diz para a madame: "Deixe prá lá... Ele nem saiu na foto. Essa parte eu não coloco na matéria..."











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